Há uma forma óbvia de percorrer a Costa Vicentina: seguir a estrada junto ao mar, de praia em praia, até já não haver mais terra.
E há uma forma melhor. Comece longe da água.
Dia um. De costas para o mar.
Suba ao castelo de Santiago do Cacém e olhe em volta. Percebe-se logo porque se construiu tudo aqui em cima: vê-se longe, vê-se quem chega. Ao lado, o sítio arqueológico guarda o que resta de uma cidade que já era antiga quando Portugal ainda não existia, e o moinho municipal continua a apanhar o mesmo vento de sempre.
Quem tiver a manhã livre faz o PR1 STC — treze quilómetros e meio de dificuldade moderada, cerca de quatro horas, e passa a compreender esta paisagem pelos pés, que é sempre a melhor maneira.
Só depois desça a Sines. Nas Fábricas Romanas salgava-se peixe para abastecer meio império. É aqui que a história desta costa verdadeiramente começa: uma terra que vive do mar há dois mil anos e nunca deixou de o fazer.
Dia dois. O mar que dá e o mar que tira.
Em Vila Nova de Milfontes, o Forte de São Clemente lembra a outra face do Atlântico. O mesmo mar que trazia o sustento trazia também os corsários, e foi preciso construir pedra contra ele.
Mais a sul, no Cabo Sardão, as falésias caem a pique sobre a água e as cegonhas fazem ninho mesmo ali, na borda. Não há outro lugar na Europa onde isto aconteça.
E depois há o trilho. O Trilho dos Pescadores, que integra os 226,5 quilómetros da Rota Vicentina, não foi desenhado para caminhantes, foi aberto por quem precisava de chegar aos pesqueiros e às praias, dia após dia, com o peixe às costas. A etapa entre Almograve e a Zambujeira do Mar atravessa dunas avermelhadas e manchas de pinhal que dão sombra, sempre com o oceano à direita.
O dia acaba nas praias de Odemira. O Carvalhal, num vale fundo onde um riacho atravessa o areal até ao mar. Os Alteirinhos, escondidos entre arribas. E a Zambujeira do Mar, rodeada de falésias, onde há quem jure ver o pôr do sol mais bonito do mundo.
Dia três. Até já não haver mais terra.
Em Odeceixe, o rio Seixe faz de fronteira: de um lado fica o Alentejo, do outro já é Algarve. Poucos sítios em Portugal marcam uma passagem com tanta clareza.
Daí para baixo é o vento que manda. A Arrifana, encaixada na sua enseada. A Bordeira, aberta e enorme. O Beliche, entre o promontório de Sagres e o Cabo de São Vicente, protegido por falésias altíssimas.
E finalmente Sagres, na Praia da Mareta. Não há mais estrada, não há mais aldeias, não há mais terra. Só o Atlântico, e a sensação estranha e boa de se estar na ponta de alguma coisa.Ver maisVer menos
Para avaliar e comentar locais é necessário que faça o seu login.
Note que ao fazê-lo ganha pontos para a sua experiencia de utilizador.
Política de Utilização de Cookies
Esta aplicação utiliza cookies apenas para assegurar funcionalidades para uma melhor navegação na DareYou Spot. Ao continuar a navegar está a concordar com a sua utilização.
Os Nossos Parceiros.São de confiançaOur Partners. It's reliable
EMOTION DEFENDER
Avenida Cidade Léon, 506 Brigantia EcoPark - Polo tecnológico, Sala 130 5300-358 Bragança, Portugal
Avalie e Comente
Para avaliar e comentar locais é necessário que faça o seu login.
Note que ao fazê-lo ganha pontos para a sua experiencia de utilizador.