As talas são varas geralmente feitas a partir de choupo, com cerca de um metro de comprimento, onde se faziam entalhes à navalha, em intervalos iguais, correspondendo cada espaço à casa de um vizinho.
As casas sucedem-se na tala pela ordem que ocupam na aldeia, ordem que é seguida num vasto conjunto de tarefas que respeitam à atividade agro-pastoril e infraestruturas da aldeia, contribuindo assim para a fixação dessa mesma ordem.
Ela é, numa superfície linear, a figuração topológica de uma aldeia em que as casas se sucedem num círculo ordenado sempre no mesmo sentido e ativado para a multiplicação das tarefas partilhadas entre os vizinhos.
A inscrição e a leitura da tala são ainda facilitadas pelo entalhe mais profundo que corresponde ao rio que separa as duas metades da aldeia. As anotações são aí feitas pelo sistema de golpes cujo tamanho, profundidade e posição estão codificados num sistema simples de escrita de todos conhecido.
Existiram tantas talas, quantos os assuntos que exigiam uma escrituração: tala da roçada, tala das multas, tala do gado, tala da cabrada, tala da eleição dos mordomos, etc.
As duas primeiras deixaram de ser usadas com o abandono das roçadas coletivas (década de 1940) e da aplicação das multas em vinho (na década seguinte). As talas das ovelhas e das cabras mantiveram-se até aos anos de 1960, pois ainda havia pastores contratados pelo conselho.
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